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07
Jul
2017
20:00

Monólogo teatral celebra a genialidade e a obra de Lima Barreto

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Foto: Valmyr Ferreira

Inspirada livremente na obra de Lima Barreto, “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” é um monólogo teatral que reúne trechos de memórias impressas em suas obras, entrecruzadas com livre imaginação. O texto fictício tem início logo após a morte do escritor, quando eugenistas exigem a exumação do seu cadáver a fim de esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias – romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios – se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”. A partir desse embate, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, sua vida, família, a loucura, o alcoolismo, sua convivência com a pobreza, sua obra não reconhecida, racismo, suas lembranças e tristezas.

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Foto: Valmyr Ferreira

Hilton Cobra, que criou a Cia dos Comuns em 2001 para trazer à cena uma cosmovisão artisticamente negra no âmbito das artes cênicas, adorou “discutir eugenia e racismo a partir de Lima Barreto”, quem acredita ser o primeiro ou um dos primeiros autores brasileiros a colocar esse “submundo” com qualidade e importância dentro de uma obra literária. Cobra falou com a equipe do X-Tudo sobre o espetáculo:

O que você achou do convite para participar da edição 2017 do X-Tudo?
HILTON COBRA – Excelente, sobretudo porque proporciona apresentar uma interessante e necessária costura entre o escritor Lima Barreto, o racismo e a eugenia.

O que o público pode esperar da sua apresentação?
HC – Um espetáculo instigante, que pretende apresentar ao grande público a vida e obra de um dos maiores escritores brasileiros, Lima Barreto, e levá-lo a refletir sobre o racismo a partir da eugenia.

O que você acha do tema deste ano, que aborda a cultura negra e sua importância na sociedade?
HC – Iniciativas para a valorização da cultura de matriz africana e diaspórica serão sempre necessárias numa sociedade como a brasileira, que ainda insiste em ser racista e promover intolerâncias como a religiosa, a sexual etc. Se não existíssemos no Brasil, haveria certamente uma cultura brasileira, mas com toda certeza essa cultura não teria o extrato da cultura do nosso povo preto.

Qual é a importância de instituições como o SESI promoverem iniciativas que valorizem a cultura negra?
HC – Espero realmente que a instituição SESI perceba que a grande massa de operários e operárias nas indústrias brasileiras é composta, na sua grande maioria, de negros e negras. E que portanto é imperioso ampliar consideravelmente as ações da cultura e arte negra nos seus espaços culturais.

Promover a diversidade artística é um dos objetivos do festival. Como é participar de um projeto que reúne música, teatro, dança, exposição, oficinas e debates?
HC – São poucas as oportunidades que nós, artistas e produtores negros e negras, temos para trocar experiências, intercambiar nossas artes, reflexões, insatisfações, talentos e vocações. Melhor ainda vivenciando com essa multiplicidade de linguagens.

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Foto: Valmyr Ferreira